Páginas

domingo, 22 de setembro de 2013

Saiba como podem ficar as novas penas dos réus do mensalão



Com o voto do ministro Celso de Mello ontem, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por seis votos a cinco, pela validade dos embargos infringentes, o que levará a um novo julgamento para réus do mensalão que tiveram ao menos quatro votos favoráveis.

A decisão dará uma nova chance nos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha para 12 dos 25 condenados no processo do mensalão. Com isso, o encerramento da ação penal e o cumprimento das prisões - que poderiam ocorrer ainda neste ano - deve ficar somente para o próximo ano.

Após decidir pela validade dos embargos infringentes, o Supremo negou por unanimidade pedido feito pela defesa do ex-deputado Pedro Corrêa (PP) para que todos os condenados com ao menos um voto favorável pudessem pleitear novo julgamento.

O STF decidiu ainda aumentar de 15 para 30 dias o prazo para que os condenados apresentem os embargos infringentes. O ministro Luiz Fux foi sorteado relator do novo julgamento. Caberá a ele preparar a instrução da nova etapa da ação penal e dar o primeiro voto em relação aos pedidos de absolvição e redução de pena dos réus.

Sessão
Nas duas horas que duraram o seu voto, de Mello defendeu a legalidade do uso do expediente, e afirmou que o regimento do STF "foi recebido (pela Constituição) com força, autoridade e eficácia de lei". Os embargos infringentes são recursos previstos no regimento interno do STF, mas não constam na lei que regula as ações do órgão.

O magistrado disse também que o Supremo "não pode ceder a pressões das ruas". "O (STF) não pode se expor a pressões externas, como aquelas resultantes do clamor popular e da pressão das multidões, sob pena de abalar direitos e garantias individuais e (levar) à aniquilação de inestimáveis prerrogativas que a norma jurídica permite a qualquer réu", pontuou.

Para ele, se agisse sob pressão, o Supremo estaria "a negar a acusados o direito fundamental a um julgamento justo". "Constituiria manifesta ofensa ao que proclama a Constituição e ao que garantem os tratados internacionais", completou.

Pizzaria

Um dos mais irritados com a decisão foi o ministro Gilmar Mendes. Ele deixou o plenário antes do fim do voto e declarou que "podia recomendar uma pizzaria". Anteontem, ele disse que o STF não é um tribunal para assar "pizza".

A oposição chamou o desfecho dessa etapa do julgamento do mensalão de "nefasta". Já o ex-tesoureiro do PT e um dos 12 réus beneficiados com novo julgamento, Delúbio Soares publicou em sua página no Twitter um link da música Because We Can (porque podemos), do cantor Bon Jovi.

Marcelo Leonardo, que defende o publicitário Marcos Valério, disse que o fato de o processo ser transferido a partir de agora das mãos do presidente Joaquim Barbosa para as de outro ministro, mudará o caso, sob o ângulo da defesa.

Fonte: JusBrasil

Nenhum comentário:

Postar um comentário